quinta-feira, 10 de junho de 2010

RECENTE MEMÓRIA DE UM POETA









A recente memória de um poeta

é a que ele sempre teve:

cadeia poética.

Jamais tão preso,

ondulado na observância que o fragmenta,

assim seu grito blasfema ilusões.

Quanto de um coração o perde,

perdera na cadeira a vontade do assento.

Em palavras simula dor,

em destinos almeja vingança.

Desde criança - e não só sempre -

Um rio o acoberta.

O rio de desterro humano, a arte de um louvor,

Ser o que "de bom" o mundo esconde.  

LITERATURA: FONTE DA EDUCAÇÃO


2° artigo

                                                                 

                                                          Wilder F.Santana

 

 

LITERATURA: FONTE DA EDUCAÇÃO

 

               

Na perspectiva do desenvolvimento educacional humano, a literatura tem uma função extremamente importante: a de revelar para o homem “ele mesmo em sua essência”. Humanizar não é fácil, todos nós sabemos, mas muitas barreiras existem a nos impedir de abrir os olhos dos nossos jovens. Atualmente o prazer literário não é mais visto como referência de vida, mas de momento. Será que isso é correto? Essa idealização condiz com nossa verdadeira virtude humana?

Desde tempos remotos vemos a grande manifestação do homem no ato da procura, na naturalidade do descobrimento. Em algumas épocas o homem foi considerado o centro do universo, em outras – e na atual -, Deus. A reflexão nos faz viver dentro do grande frasco da vida interior: o do auto-descobrimento. Ao descobrirmos-nos, principiamos quem somos e o que de melhor podemos fazer em favor do ambiente. Mas será que os jovens alunos estão tendo essa oportunidade de refletir? Será que a maioria das instituições faz com que o estudante tenha uma visão crítica de mundo? A verdade é que não.

Primeiramente literatura não é momento, é fonte de toda a nossa existência. É através de seu perpasse como disciplina que os professores visam estimular a capacidade psicológica e mental dos educandos. Eles são a concretude da saliência humanitária.

No grau escolar médio os “aprendizes” têm matérias restritas, ditadas para que um sistema filial os ingresse no mercado de trabalho. Diante disso eles se veem obrigados e abstinados a estudar determinados assuntos, vezes que poderão não servir em nenhum aspecto na carreira profissional. Ora, estamos formando máquinas ou seres humanos pensantes? Onde está a moral educativa? Em que organismos pode-se confiar que estejam desvendando o mistério da abstração?

A revolução industrial foi sim bastante importante em criação, inovação e acesso ao investimento, mas tirou do homem o seu labor, e cada vez mais a ganância capitalista nos corrói a “trabalhar para ter”. O gosto de vida, os prazeres do homem e seu cerne foram danificados pela rede cíclica do rendimento, a exigência nos domina. Mas nós podemos mudar isso. Um pulo nos levará ao encontro. Se percebermos o quanto o nosso tempo é tomado pelo que o esforço mercantilista impõe, veremos que poucas coisas fruem no amor e raramente a felicidade domina.

Ao contrário de sentenças deterministas, é com sentido de positividade que o literalismo chega. Oferece ao homem a oportunidade de se pensar, indagar sobre si, viver segundo primórdios da verdadeira cultura. A humanidade é cultura, o caráter representa o que somos e não o que fazemos. O campo da poesia, da instrução confluente, nosso espírito necessita de ajuda. O instrumento educacional é a chave de conseguirmos um amanhã saudável, porém, basta abrirmos bem os olhos para “que práticas devemos tomar a partir do agora”...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

As Dálias são como mulheres


As dálias são como mulheres

Em seu pleno amanhecer.

Cada uma compadece com sua finura,

 Semeando dentro de uma insígnia covarde.

 Dálias, sempre chorando mesmo sem lágrimas,

Sempre a sorrir com a boca da alma.

É como campo que corresponde a fragrâncias sinceras.

Mais que madrugadas vencidas,

Tempos em pura aflorada,

Tudo em si é vida,

Vida sem dálias é nada...

Êxtase crônico

 

 

Os sarcófagos de engenho cautelar

Simbolizam as chagas dementes.

E as elegantes poeiras do mar

São madréporas de luz à beira-nuvem

[são prosa dos anfíbios voadores].

 

O excremento da silhueta preponha

Fecunda na febre dos rudimentos.

E o preceito da presença putrefacta

Suprimi a constância-custódia

[são memória da menorréia anormal].

 

O ciclope da vista formiguenha

Decifra as poupas torvadas.

E a meretriz de postigo carnal

Inflige o tracoma obséquio

[são festejos do morgue-enxoval].

 

       O moroso mel nigromântico

Pereniza os miolos mictórios.

E os nimbos da áurea-córnea

Afagam no hálitro... Ardência

[são o néscio nevisco mental].

 

A epigênese das galeras espaciais

Deflagra nos signos rutilantes.

E a queda do mercúrio estoicista

Filosofa nas artes empilhadas

[são loucura das mágoas-surdas].

 

 



Faça-se o sol

Faça-se o sol em grão e ouro em pó,

Siga-me.

Jamais deixa a resenha da luz.

Mais uma vez o dia clareia,

Chama-se em tempos, substitui a lua cheia.

Raros homens levantam com os galos...

Crianças brincam e se melam na areia.

 

Olhos tão nus, prazer da vida,

Trabalhar, então, na longa estrada.

Queria eu ser a lua erguida,

Ter muito, talvez, uma alma amada.

Faça-se o sol e eu sempre o sigo...

 



Quando morreres...

 

Quando morreres, meu amor,

Das flores sairá o néctar da tristeza

Das pessoas sairão lágrimas de sangue

E de mim... A vida que não era mais.

 

Quando morreres...

Não haverá canto de pássaros

E nem amor... Nem sentimento

E para mim... Eterna solidão.

 

Quando morreres...

Um vazio cobrirá a estória

Serás lembrada para sempre

Pelo rumo hereditário da glória.

 

Quando morreres, serei você,

E tu serás minha falsa aparência;

E num só corpo... Duas almas

No prodígio daquilo que consiste.

 

Quando morreres

Eu morrerei também

Para tua alma me satisfazer

No gosto de tua inexistência.

 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

UM PASSO É A SUFICIÊNCIA

                                              Wilder F. Santana

1° artigo

 

A vida perpassa por onde os olhos não veem, eles se doam. As flores são as damas da magnificência. Elas controlam os tormentos humanos e ramificam dores com seu cerne. Já dizia nossa querida Clarice Lispector: “Um olho vigiava a minha vida. A esse olho eu chamava de verdade, ora de moral, ora de lei humana, ora de Deus, ora de mim”. E é verdade. Somos a consciência viva, mas perpetuamos em pequenas soluções. A visão que não se enxerga é a essência do inabitado (Wilder Santana).

Ora, tenhamos a capacidade de dar bom dia, agradecer pelas diversas acontecências que nos rodeiam. O homem liberta-se do seu caos quando a sombria névoa de ilusões desmancha-se em cicatrizes. Cicatriz é a nossa constante restauração; a pauta humana não é dotada apenas de vitórias. Grandes feridas existem e nos fazem sofrer, mas precisamos contorná-las no invólucro do amor. O que somos? Por que estamos aqui? O que fazemos, além de acontecer instantaneamente?

A educação é o dom das boas maneiras, é a nossa capacidade, não só de nos organizarmos, mas de aprendermos a respeitar uns aos outros. “Um passo é a chance de se encontrar”. Através de um passo, grandes universos podem surgir, grandes ausências podem ganhar vida. Basta crermos. Basta pularmos da ponte que nos liga à razão, e cairmos no lago dos sentimentos. Um passo é a suficiência, basta termos força para superar as barreiras. Atitudes não são apenas demonstrações, mas a virtude de dar continuidade à existência.

A prova concreta de que a amizade é o fruto da resolução fraterna é que não conseguimos habitar na solidão. O confinamento faz crer que as derrotas têm poder sobre nós, mas não nos esqueçamos de que a vela perene do mundo é o lágrima do amadurecimento. Chorar não é sofrer, é exortar a dor que se sente no mais puro modo do derretimento. A síncrese da modificação é a ousadia da compaixão.                 

Quando os maus momentos nos afligem, podemos substituí-los. O resgate de uma vida versa a própria ação da libertação. A perda não deve significar apenas transtornos, pois é no íntimo da desilusão que podemos refletir sobre o que nos fez perecer. A vida, então com o olho agudo do ressentimento. Alimentar-se na ressurreição de antigos amores.

O pó que invalida o mundo é o desterro prisioneiro e brutal da discórdia? Sim, porém a gema da esperança é o mais singelo sorriso que acende no rosto de quem ama.

No útero a grande ideia da condicionalidade. Pensamos e agimos conforme seja a argúcia. O latente prazer humano é a arte silenciosa de permanentes pesadelos. Sonhar é se ter, é se amar. Viver é mais que um sonho, é, enfim a gota de água que alimenta os segredos dos olhos que nos vigiam. Que despertem incisivas e excitantes as aves que dormem caladas em nossos ombros...